9.2.10

 

Calma Ebulição
Sergio Pinheiro Lopes


Meus ancestrais não tinham tostão.
Elite quando a elite era de inteligência e espírito e
Não de dobrões ou escudos nesse rincão.
Cresci filho da cizânia entre os papas e Lutero, comendo

Em uma mesa na qual não havia assunto que não fosse assunto.
Escola de livre pensar.
Agora, eis me aqui,
Velho como quando achava velhos meus pais:
Cinquenta e tantos.
Como a Terêncio,
Tudo que é humano me concerne.
É minha legítima herança e maldição.
Disso teço minhas teias, meus poemas e meus pensares.
Malgré alguns dias por baixo do carpete, no geral,
Adoro estar vivo e cada casquinha da vida
Atrai o meu olhar,
Fascina minha atenção,
Apaixona minha alma.
Gosto - e sou parcial com gente inteligente.
Lavar burros, como diz meu irmão,
É desperdício de água e sabão.
Mas, mesmo assim, ando mais gentil, mais paciente, mais

Disposto ao banquete que me apresenta o dia.
Com os burros todos, os toscos, os pobres de espírito,
Os ignorantes e outros tantos.

Atualmente aprendo com tudo e todos,
Deve ser a tal da sabedoria que vem com o tempo.
Calma ebulição.



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