5.11.10

 

Calma Ebulição
Sergio Pinheiro Lopes

Meus ancestrais não tinham tostão.
Elite quando a elite era de inteligência e espírito e
Não de dobrões e escudos neste rincão.
Cresci filho da cizânia entre os papas e Lutero, comendo
Em uma mesa na qual não havia assunto que não fosse assunto.
Escola de livre pensar.
Agora, eis-me aqui,
Velho como quando achava velhos meus pais:
Cinqüenta e tantos.
Como a Terêncio,
Tudo que é humano me concerne.
É minha legítima herança e maldição.
Disso teço minhas teias, meus poemas e meus pensares.
Malgré alguns dias por baixo do carpete, no geral,
Adoro estar vivo, e cada casquinha da vida
Atrai meu olhar,
Fascina minha atenção,
Apaixona minha alma.
Gosto - e sou parcial - com gente inteligente.
Lavar burros, como diz meu irmão,
É desperdício de água e sabão.
Mas, ainda assim, ando mais gentil, mais paciente, mais
Disposto ao banquete que me apresenta o dia.
Com seus burros todos, seus toscos, seus pobres de espírito,
Os ignorantes e outros tantos.
Atualmente aprendo com tudo e com todos.
Deve ser a tal da serenidade que vem com o tempo. A
Calma ebulição.

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