11.12.10

 

Ítaca
Constantino P. Cavafy
José Paulo Paes



Se partires um dia rumo à Ítaca 

Faz votos de que o caminho seja longo 

repleto de aventuras, repleto de saber. 

Nem Lestrigões, nem Cíclopes, 

nem o colérico Posidón te intimidem! 

Eles no teu caminho jamais encontrarás 

Se altivo for teu pensamento

Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito tocar.

Nem Lestrigões, nem Cíclopes 

Nem o bravio Posidón hás de ver

Se tu mesmo não os levares dentro da alma

Se tua alma não os puser dentro de ti. 

Faz votos de que o caminho seja longo. 

Numerosas serão as manhãs de verão 

Nas quais com que prazer, com que alegria 

Tu hás de entrar pela primeira vez em um porto 

Para correr as lojas dos Fenícios 
e belas mercâncias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos 

E perfumes sensuais de toda espécie 

Quanto houver de aromas deleitosos. 

A muitas cidades do Egito peregrinas 

Para aprender, para aprender dos doutos. 

Tem todo o tempo Ítaca na mente. 

Estás predestinado a ali chegar. 

Mas, não apresses a viagem nunca. 

Melhor muitos anos levares de jornada 

E fundeares na ilha velho enfim. 

Rico de tudo quanto ganhaste no caminho 

Sem esperar riquezas que Ítaca te desse. 

Uma bela viagem deu-te Ítaca. 

Sem ela não te punhas a caminho. 

Mais do que isso não lhe cumpre dar-te. 

Ítaca não te iludiu 

Se a achas pobre. 

Tu te tornaste sábio, um homem de experiência. 

E, agora, sabes o que significam Ítacas. 


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