7.1.11

 

Uma Pequena Lágrima
A Little Tear
Sergio Pinheiro Lopes


O palco: a casa é limpa, a mobília disposta em uma ordem mais conveniente, consideração é dada aos pratos e copos, a atenção é dirigida à completa satisfação dos convidados: somente as melhores comidas e bebidas devem ser servidas e o suprimento tem que ser ininterrupto e abundante. A música precisa ser cuidadosamente escolhida e alguém tem que estar encarregado dela. Pelo menos até a hora prescrita para a festa terminar. Pois a festa precisa terminar. O fim é tão parte de uma festa como é parte de todas as coisas.
A peça: é sempre a mesma trama com pequenas variações. Os convidados chegam, todos bem vestidos e adequados. Boas maneiras e uma certa reserva podem ser observadas em todos. A medida que a noite avança, no entanto, o verniz social é vagarosamente removido pelo álcool e todo tipo de sub-tramas se desenvolvem. Nada fora do absolutamente esperado, notem vocês, sempre haverá os felizes e os tristes, os barulhentos e os quietos, os que rejeitam e os que são rejeitados, os que apenas observam, observando, os que estão lá apenas para serem vistos, apenas sendo vistos e, é claro, os que estão apaixonados e os que estão sem amor, pois de outra forma não seria uma festa digna do nome.
O fim: o fim é uma pilha de pratos sujos, comidas deixadas pela metade, garrafas vazias e cinzeiros cheios, pedaços e cacos de histórias ainda pairando no ar enfumaçado e um ou outro convidado vagando e se perguntando onde tudo foi parar.
Ao anfitrião é permitida apenas uma pequena lágrima, mas somente quando as portas estiverem fechadas, as luzes principais finalmente apagadas e não houver nenhuma testemunha.


The stage: the house is cleaned, the furniture disposed in a more convenient order, thought is given to plates and glasses, attention is directed to the complete satisfaction of the guests: only the best foods and drinks are to be served and the supply must be uninterrupted and plentiful. The music must be carefully chosen and someone must be in charge of it. At least until the hour prescribed for the party to end. For the party must end. The end is as part of a party as it is a part of all things.
The play: it is always the same plot with little variations. The guests arrive, all dressed up and proper. Good manners and a certain restraint is to be observed in everyone. As the night proceeds, however, the social varnish is slowly removed by the alcohol and all sorts of small subplots take place. Nothing outside the absolutely usual, mind you, there will always be the happy ones and the sad ones, the loud ones and the quiet ones, the rejecting and the rejected, the ones that just observe, observing, the ones that are there just to be seen, just being seen and, of course, the ones in love and the ones out of love, for otherwise it wouldn’t be a party worthy of the name.
The end: the end is a pile of dirty dishes, half eaten food, the bottles empty and the ashtrays full, bits and pieces of stories still hanging in the smoky air and one or other guest walking around wondering where has it all gone.
To the host is allowed a little tear, but only after the doors are closed, the main lights are finally out and there are no witnesses.

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