28.6.11

 

Um email
Sergio Pinheiro Lopes



Querida Anônima,

Pensamentos são só pensamentos.
Pensamentos, frequentemente, são ao invés de.
Posso escrever um tratado sobre o gosto da marmelada que o leitor, ainda assim, não saberá qual o gosto da dita cuja.
Dá-se o mesmo com as filosofias, as religiões e quasi tudo o mais.
O que muda o cidadão é a ação. Pensamento sem ação não é nada.
É matéria morta.
Posso discorrer horas sobre o amor romântico e, no entanto, jamais ter vivido um.
Falar da marmelada e, ainda assim, não saber que gosto tem.
Como lidamos com coisas vivas e em constante movimento, qualquer solução pré-pensada, pré-aprendida, por definição não servirá. Trazer a solução pronta é fracasso na certa.
Tudo está em permanente movimento. E tenho que estar em movimento junto, atento, para que o meu agir esteja de acordo com o que se apresenta no instante em que se apresenta.
É a única maneira, a meu ver. Estar atento ao que acontece quando acontece, aí, se vazio de pensamentos e ações pré-pensadas, me comporto de acordo com o que a situação exige.
Frequentemente, ao conseguir isso (o que não é frequente, acredite), as coisas se abrem, se revelam e se resolvem de uma maneira que só posso descrever como mágica, ou milagrosa.
Mas é difícil. Aprendo a cada instante e, a cada instante, preciso aprender de novo.
Não se conclui esse curso nem é matéria que se pode dar por aprendida. Minha opinião, somente isso, mais nada.
Esse o problema da academia e da abordagem acadêmica, na minha modesta maneira de ver. E que só serve para mim, bem sei.
Meu pai morreu há dezoito anos. Se voltasse hoje, não reconheceria mais nada no mundo.
Com exceção das escolas, estas continuam as mesmas.
O estar atento está sendo a única maneira que encontrei para crescer espiritualmente.
Para ser uma pessoa mais digna.
Acho que não existem professores dessas coisas, só aprendizes.
Pela graça de De-s, tenho aprendido com tudo e com todos, a todo instante.
Sem aflição ou ansiedade e até com lampejos de humildade e paz aqui e ali.
Que está sendo bom viver assim, ah, isso eu garanto.
Não o faria se não fosse bom para mim, pois sou egoísta, quero o meu bem e descobri que não gosto de sofrer.

Beijos,

Sergio

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