10.1.12

 

Alce Negro Fala



Muitos anos atrás, meu irmão apareceu com um livro chamado 'Alce Negro Fala' e me disse para lê-lo. Eu li. Esse livro modificou minha visão dos Estados Unidos, da história e da humanidade em geral. Ele ficou em meu coração desde aquela época. É a história da vida de um Homem Sagrado da tribo dos Oglala Sioux, como contada à John G. Neihardt. Estes são apenas os parágrafos iniciais e os acho muito comoventes. Fiz uma tradução livre deles. Estão aqui apenas para abrir o apetite. Talvez traduzam o livro ou talvez possam lê-lo no original, se o encomendarem.

Alce Negro Fala:

Meu amigo, vou contar a você a história da minha vida, como deseja; e se fosse apenas a história da minha vida acho que não a contaria; pois o que é um homem para fazer muito de seus invernos, mesmo quando eles o curvam como neve pesada? Da mesma forma muitos outros homens viveram e viverão esta história, até virarem grama cobrindo as colinas. É a história de toda a vida que é sagrada e é boa de se contar, e de nós seres de duas pernas partilhando a vida com os seres de quatro pernas e as asas do ar e todas as coisas verdes; pois estes são todos filhos de uma só mãe e seu pai é um único Espírito. 
 Esta, portanto, não é uma história de um grande caçador ou de um grande guerreiro, ou de um grande viajante, embora eu tenha feito muita carne em meu tempo e tenha lutado por meu povo tanto como menino quanto como homem, e tenha ido longe e visto terras e homens estranhos. Da mesma forma muitos outros o fizeram e melhor do que eu. Essas coisas irei lembrar de passagem, e muitas vezes elas poderão parecer ser os próprios eventos, como quando eu os estava vivendo em felicidade e tristeza. Mas agora que eu posso ver a tudo como se estivesse no topo solitário de uma colina, eu sei que foi a história de uma visão poderosa dada a um homem fraco demais para usá-la; de uma árvore sagrada que deveria ter florescido no coração de um povo com flores e pássaros cantando, e agora está seca; e do sonho de um povo que morreu na neve manchada de sangue. Mas se a visão foi verdadeira e poderosa, como eu sei que foi, ela é verdadeira e poderosa ainda; pois tais coisas são do espírito, e é na escuridão de seus próprios olhos que os homens se perdem.


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