28.1.12

 

Soneto
Johann Gottlieb Fichte



O que empresta ao meu olhar esse vigor,

Que todos os senões lhe parecem pequenos

E as noites se transformam em sóis serenos,

Em vida a negação, em solidez o tremor?

O que, a confusa teia do tempo a transpor,

Conduz-me certeiro às fontes perenes

Do belo, do vero, de bondades e acenos,

E lá afunda, e aniquila, do meu empenho a dor?

Já sei. Desde que, no olho de Urânia, acesa

Em quietude, pude eu mesmo interiormente

A clara, fina, pura flama azul observar;

Desde então, tal visão me habita em profundeza

E é no meu ser - eterna, unicamente;

Vive no meu viver, olha no meu olhar.

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